Com a expansão da democracia pelo mundo nas últimas décadas, surgiu a demanda por uma administração eleitoral profissional, e isso envolve o voto eletrônico.

Para que o sistema democrático prospere, são necessários processos eleitorais robustos e confiáveis, que permitam aos cidadãos escolher seus líderes, conforme garantido pela Declaração Universal dos Direitos Humanos.

Pensando nisso, a tecnologia de votação pode beneficiar muito a democracia, melhorando a integridade e a segurança das eleições! Contar as cédulas manualmente traz muitas vezes atrasos na liberação de resultados eleitorais precisos e em tempo oportuno – sem falar na insegurança do sistema, que aumenta a possibilidade de fraudes.

Um exemplo disso foram as eleições parlamentares da Austrália em 2016, quando a contagem manual de cédulas levou mais de uma semana para produzir resultados finais, provocando incerteza política e econômica.

A contagem eletrônica pode acelerar a declaração dos resultados, revelando-os em algumas horas, e atenuar a ameaça de perturbação da ordem social ou até mesmo de violência.

Os pioneiros

Alguns países foram pioneiros, com muito sucesso, na implementação da tecnologia de votação. Vamos conhecer alguns deles?

urna eletrônica brasileira sobre uma mesa.
Imagem: José Cruz – AgenciaBrasil

Aqui no Brasil o voto eletrônico existe desde 1996 e foi implementada em todo o país no ano 2000. Os fatores que contribuíram para o sucesso incluem um excelente programa de educação dos eleitores, relacionamento contínuo com as partes interessadas nas eleições e um programa robusto de testes independentes dos sistemas de votação.

Máquinas de voto eletrônico da Índia.
Imagem: Election Commission of India, Government of India

A Índia implementou com sucesso um sistema de votação eletrônica local. Desde 2004, a Comissão Eleitoral da Índia implantou urnas eletrônicas nas eleições parlamentares em todo o país. A máquina indiana de votação eletrônica tem muita credibilidade devido à excelente educação dos eleitores, planejamento logístico competente e relacionamento consistente com as partes interessadas.

Sistema de votação on-line da Estônia. Um eleitor insere seu cartão de identidade em um leitor para realizar voto pelo computador.
Imagem: Liu Wei/Xinhua Press/Corbis

Desde 2005, a Estônia implementou a votação pela Internet para todas as eleições parlamentares. Nas eleições parlamentares de 2015, 1/3 dos eleitores optaram por votar on-line, graças a um trabalho de educação dos eleitores muito eficaz e à participação das partes interessadas nas eleições. A Estônia é o primeiro país a oferecer votação na Internet como uma opção em todas as eleições.

Dois eleitores inserem cédula em máquina de votação nas Filipinas.

Nas Filipinas, por causa da logística envolvida na organização de eleições em um país composto por 2 mil ilhas habitadas e de um histórico de eleições caóticas no passado, a Comissão de Eleições (COMELEC) implementou um sistema de votação automatizado para as eleições de 2010.

Foi escolhido um sistema de reconhecimento óptico e cerca de 90 mil máquinas de votação de escaneamento óptico foram usadas com sucesso nas eleições de 2010, 2013 e 2016.

Esse sistema de voto eletrônico tem grande credibilidade graças ao trabalho de educação dos eleitores. Em uma pesquisa recente, foi revelado que, após quatro eleições nacionais automatizadas, 91% dos eleitores indianos desejam que as futuras eleições sejam automatizadas.

Também contribuem para a credibilidade do processo o treinamento eficaz dos pesquisadores e o engajamento vigoroso das partes interessadas nas eleições. O teste independente do hardware e dos códigos-fonte também é a chave para a ampla aceitação de todos os candidatos e também da população.

O sistema automatizado de votação contribuiu para eleições pacíficas porque os resultados das eleições foram divulgados muito rapidamente. Nas eleições presidenciais de maio de 2016, o vencedor foi conhecido apenas quatro horas depois o fechamento das pesquisas.

Os administradores profissionais das eleições são os guardiões do processo eleitoral. Como mostram o Brasil, a Índia, a Estônia e as Filipinas, a implementação bem-sucedida de novas tecnologias de votação depende da sua credibilidade.

Todas as ferramentas possíveis devem ser usadas para aumentar a participação do eleitor e proteger a integridade do voto. Este é o momento ideal para as democracias investirem no futuro e realizar eleições compatíveis com século XXI, para que cada voto conte.

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