Fake news, ou notícias falsas em bom e velho português, você já deve estar cansado de saber o que são, mas e as deepfakes, você sabe o que são?

A definição usual para essa nova modalidade de criação diz que deepfake é uma técnica, baseada em inteligência artificial (IA), para a síntese de imagens e sons humanos. O termo vem da junção do “deep” (profundo), originado de “deep learning” (aprendizagem profunda) – atualmente uma das formas mais poderosas de IA -, e o “fake” (falso).

Difícil de entender? Vamos visualizar!

Em 10 de outubro, o ator americano Robert De Niro publicou no Twitter o vídeo abaixo, uma cena antológica do filme de Martin Scorsese, Taxi Driver, em que seu papel, o taxista Travis Bickle dialoga consigo mesmo no espelho:

Na deepfake, que De Niro levou na brincadeira, aparece a cena real, abaixo, e acima a mesma atuação, mas com o rosto de Al Pacino. Impressionante? Agora veja essa:

Neste deepfake, o ator e imitador Jim Meskimen recita um poema sobre imitadores e seu rosto é trocado pelos rostos de 20 celebridades, à medida em que cada uma é imitada. Na lista, o próprio De Niro, e nomes como John Malkovich, Tommy Lee Jones, George Clooney, Anthony Hopkins e Arnold Schwarzenegger, entre vários outros.

Os dois exemplos são impressionantes e podem, claro, ser levados com humor e como conteúdos que fazem cair o queixo dos espectadores, mas a técnica tem despertado muita preocupação no mundo jornalístico e político pelo seu potencial de criação de peças de desinformação cada vez mais difíceis de serem identificadas e, portanto, desmentidas.

Deepfakes no mundo político

Até o momento, o mundo político não tem sido o maior dos alvos dessa nova técnica. Boa parte das deepfakes são, ainda, piadas ou experimentações e, segundo indica pesquisa da Deeptrace, empresa especializada em monitorar conteúdos criados por inteligência artificial, 96% de todos os conteúdos do tipo é pornográfico. Você pode ver a pesquisa completa aqui.

O problema é sério e tem preocupado grandes nomes da tecnologia. O Google anunciou no final de setembro deste ano que tem intensificado os esforços para identificar deepfakes. A empresa vai liberar dados que ajudem pesquisadores e investigadores a identificar vídeos que tenham sido alterados artificialmente. Segundo a empresa, a capacidade de localizar vídeos manipulados por IA é peça chave no combate a essa técnica que tem tudo para ser usada nas eleições do mundo todo a partir do próximo ano.

No Canadá, que parece outro mundo, como já mencionamos aqui no blog, as deepfakes ainda não tiveram impacto. Mas por lá até mesmo o uso de fake news tem sido pequena a um ponto que jornalistas e pesquisadores estão surpresos.

Já na Califórnia, o governador Gavin Newsom assinou a lei AB-730, que simplesmente proíbe a distribuição de deepfakes nos 60 dias que antecedem as eleições no estado. A medida nasce como medida preventiva para a eleições do próximo ano e vale até janeiro de 2023. 

Na Argentina, o Reverso, um projeto colaborativo de combate à notícias falsas e deepfakes, lançou recentemente uma campanha já para as eleições deste ano no país. Com o slogan “la mentira puede venir de muchos lados. #QueNoVengaDeVos”, o vídeo usa da técnica de forma bem humorada:

O assunto voltará a ser pauta para o blog com frequência, fique ligado! Se você quiser receber atualizações do blog, assine nossa newsletter ao lado!

COMENTÁRIOS