Muito se fala sobre criptografia como um recurso de segurança em soluções tecnológicas. Mas você sabe exatamente o que isso significa?

A criptografia é um conjunto de princípios e técnicas utilizados para proteger a informação e garantir uma comunicação segura na presença de terceiros. Assim, apenas o emissor e o receptor da mensagem podem entendê-la.

O termo tem origem grega: kryptós, “escondido”, e gráphein, “escrita”. Ele apareceu pela primeira vez no século 19, no romance de Edgar Allan Poe “O escaravelho de ouro“.

O uso de códigos criptografados, que podem ser mais ou menos complexos, porém, é ainda mais antigo que a palavra. O primeiro sistema de criptografia conhecido surgiu no Egito, cerca de 1900 anos antes de Cristo. Acredita-se que cifras de mudança de alfabeto tenham sido usadas por Júlio César há mais de dois mil anos.

O método usado pelo político romano ficou conhecido na história como a Cifra de César, e é uma das maneiras mais simples (e menos seguras) que existem de criptografar uma mensagem. Basicamente, você troca letras por outras a partir de um valor de troca pré combinado entre o emissor e o receptor.

Por exemplo. Em uma cifra de César de troca sete, a letra “a”, primeira do alfabeto, é substituída pela letra “h”, a oitava do alfabeto. A lógica é simples, a primeira letra mais sete letras leva à oitava letra. Da mesma forma, a segunda letra (“b”) mais sete letras leva à nona, no caso, “i”.

Ainda considerando o valor de troca sete, o “Blog da Vera DeTech” seria criptografado como “Isvn kh Clyh KlAljo”.

Como a criptografia reúne sistema de técnicas que cifra uma informação garantindo que ela será decifrada apenas por pessoas autorizadas, sem acessos indevidos no caminho, ela é muito utilizada no comércio eletrônico, cartões de pagamento baseados em chip, moedas digitais, senhas de computadores, comunicações militares e também no processo eleitoral.

Como funciona?

Para proteger uma mensagem, o emissor utiliza um protocolo para cifrá-la. Ela é então transmitida ao destinatário, que possui uma chave capaz de “traduzir” aquele código e acessar seu conteúdo.

Essas chaves podem ser simétricas (quando a mesma chave é usada na emissão e na recepção) ou assimétricas (quando as chaves de criptografia e descriptografia são diferentes).

As chaves são geradas por algoritmos e podem ter tamanhos diferentes. Quanto maiores, mais seguras.

Como a criptografia protege seu voto


A criptografia é utilizada em diversas fases do processo eleitoral, com o objetivo de torná-lo mais seguro.

No Brasil, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) usa algoritmos proprietários de cifração simétrica e assimétrica, de conhecimento exclusivo do Tribunal.

Quando a eleição acaba, cada urna eletrônica gera o que o TSE chama de “boletim de urna”, um arquivo que é então criptografado e assinado digitalmente pelos algoritmos do tribunal.

O arquivo é então gravado em uma mídia desenvolvida especialmente pelo TSE, chamada “memória de resultado”. Essa mídia usa uma tecnologia semelhante à dos pendrives, mas tem formato diferente para que seja facilmente identificada e não possa ser confundida com outros tipos de mídia de gravação.

TRE-GO Memória de Resultado e Memória Flash da urna eletrônica, Eleições 2012, 13 de setembro de 2012
Memória de Resultado e Memória Flash da urna eletrônica. Imagem: TSE

Esse “pendrive” é então enviado para um ponto de transmissão da Justiça Eleitoral e, desse ponto, os dados do pendrive são enviados para contabilização em um Tribunal Regional Eleitoral (TRE), que faz a totalização de votos em cada estado. No escritório regional do Tribunal, os dados do pendrive são decifrados e a assinatura digital é verificada, bem como a estrutura do arquivo e sua origem.

Nesse ponto, se o boletim não passar por uma das verificações de segurança, ele é descartado.

Com as verificações realizadas, o tribunal regional, à medida que a contagem acontece, envia os dados finais de cada urna para o Tribunal Superior, que consolida os dados recebidos nacionalmente e divulga o resultado do processo eleitoral.

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